domingo, 20 de novembro de 2016

Cap. 07 - Bem vindo Jaker

Ele resolveu...

... sumir da cidade e jurar morte à Paduaq, porém quase que na mesma situação que eu, ele não tinha força suficiente para enfrentar-lo. Com olhos cheios de lagrimas, transbordando e umedecendo levemente suas bochechas, levou a mão ao rosto secando as gotículas escapadoras e  disse que preferia ter morrido, ao invés de passar vergonha e carregar aquilo pelo resto da vida. Sabendo que seria quase impossível se vingar de alguém com tanto poder como tinha o Paduaq. Momentos depois ele pronunciou diversas vezes palavras mágicas que curaram levemente sua vida, até que ficasse totalmente saudável. 

Rodeados de inúmeras pessoas, Katdeen e eu apenas observamos ele se dirigir até o baú com fechadura que lhe pertencia, encheu sua mochila com alguns suplementos e itens, pegou também uma certa quantia em moedas de platina, com uma péssima postura e totalmente cabisbaixo se dirigiu até a saída do depósito. Se despediu da gente e disse que iria mudar de cidade, morar em Carlin. Eu não fazia ideia de que cidade era, onde ficava e o que havia lá. 

Murlock - "Que cidade é essa?" - Olhando fixamente nos olhos dele.

Actus - "Se localiza ao noroeste do continente, é uma cidade liderada pela Rainha Eloise e governada por suas subordinadas valquírias." - Desviando o olhar para o lado - "Homens tem poucas influencias lá."  

Murlock - "E como você vai até lá?" - Botando a mão no queixo e logo em seguida coçando a cabeça.

Actus - "Caminhando demora aproximadamente 7 dias, eu vou de barco, assim demora apenas 12 horas." - Com um semblante mais leve.

Murlock - "Ok, podemos ir com v.." - Fui interrompido antes que eu concluísse.

Actus - "Não podem, para ter permissão e pagar uma passagem de navio, você deve ser considerado importante, de tempo em tempo pagando uma taxa aos deuses." - Exibindo um sorriso sem graça.

Murlock - "Tudo bem, eu pago!"  - Sorrindo inocentemente como uma criança que avista um doce.

Actus - "Vocês acabaram de chegar de Rookgaard, não têm dinheiro pra isso. Aconselho a irem ao templo ancião, caçar algumas criaturas e se tornarem mais fortes, só assim vocês vão conseguir dinheiro para ter capacidade de viajar de barco para outras cidades." - Sem muito sorriso e dando alguns tapas no meu ombro e passando a mão na cabeça de Katdeen.

Virou de costas e sentido ao oeste do depósito iniciou uma pequena caminhada a passos lentos e cabisbaixo, minutos depois sumiu da nossa visão. Katdeen e eu sentimos obrigação de ajudar Actus, quem me ajudou muito na ilha de Rookgaard e novamente hoje contra o ciclopes. 

O sol já estava se retirando e a lua a exibir-se, Katdeen e eu coletamos informações com diversas pessoas para descobrir sobre o templo ancião. Templo Ancião é um enorme conjunto de túneis que dão acesso a diversas cavernas e sua entrada se localiza próximo ao portão do norte da cidade de Thais. Passamos a noite pelo depósito mesmo, a fim de partirmos pela manhã.

Esperamos o dia amanhecer, estocamos água e alimentos e fomos em direção à saída do norte, passamos pelo grande portão da fortaleza e pela ponte levadiça, o cheiro já era bem diferente, o ar mais fresco e puro e a paisagem mais verde, bem próximo dali encontramos a entrada dos túneis que ficava dentro de uma casinha de cor clara que tinha uma porta aberta. 

Iluminada com um par de tochas, descemos pelas escadas e encontramos algumas bacias com carvão em brasas e outra escada pra descer novamente. Assim que descemos vimos um cenário bem construído  e com bons acabamentos, parecia uma cidade subterrânea, o ambiente já não era tão fresco e agradável como no térreo. No mesmo momento Katdeen olhou para mim com uma cara de poucos amigos e reclamou do calor. 

Haviam dois caminhos,  norte e sul,  andamos para o sul, o caminho de pisos terminaram emendados por terra e lama, atravessamos por uma porta aberta e o cenário já estava totalmente diferente, se denunciava um corredor de caverna típica, muito mal iluminado inclusive,  um pouco mais a frente encontramos uma pequena sala com diversos caminhos diferentes e alguns corpos de orcs e um homem vestido com uma roupa azul, um semblante fechado, esbanjando olhos acostumados a violência, se mostrando bem autoritário, imediatamente gritou com nós dois dizendo pra voltarmos, melhor equipado que nós e também parecia ser muito mais experiente. 

Gravei aquele rosto. Preferimos não arriscar, demos meia volta e fomos ao norte. Seguindo ao norte, nós achamos um lugar magnífico, era uma enorme sala com várias pilastras e um super buraco no centro, o que nos proporsionava visão dos andares abaixos, dessa sala podemos ver lá em baixo algumas criaturas diferente, ainda não identificáveis pela distância e pouca claridade, no centro daquele ambiente havia uma construção bem iluminada no topo, que era no mesmo nível de altura de onde estávamos.

Bem pouco mais ao norte encontramos dois lances de escadas que davam acesso ao andar que tinha aquelas criaturas. A cada lance que desciamos o cheiro ficava horrível e o clima mais denso e pesado. Não chegamos nem a pisar direito no chão e já vieram eles, eram um tipo de vermes podres, com boca redonda e dentes afiados preenchendo por completo a boca, um cheiro de estragado, tinha um pouco menos que um metro de altura, assim batendo no alcance da minha cintura. Meio curvado pra baixo, defendi o primeiro ataque que veio como uma cobra dando bote, porém mais lento e mais pesado, baixo para cima. Revidei com minha Rapier num golpe sentido diagonal de cima pra baixo, mas sem sucesso pois aquele invertebrado defendeu mordendo minha espada, prendendo-a na boca. Ouço um "Zarp", numa flechada de pouca distância e a minhoca podre desviou com uma certa destreza, mas teve que soltar minha espada. Olhei para trás e vi Katdeen guardando o arco na mochila e botando a mão no nariz, prendendo a respiração. De longe, lentamente já vinha outra delas. Dei uma porrada com meu escudo na fuça da minhoca podre, deixando-a atordoada e segurei minha espada de cabeça pra baixo, saltei e finquei de cima pra baixo, colorindo de vermelho aquele estreito corredor. Fiquei um pouco mais experiente e senti aquela sensação maravilhosa, porém antes que eu conseguisse soltar minha espada da primeira morta, a outra chega dando um super bote, alcançando meu pescoço, fez uma enorme ferida, larguei meu escudo e fiz pressão na ferida, eu estava perdendo muito sangue. Kat teve uma excelente reação, antes que o monstrinho caísse no chão, lançou uma bela flecha dentro da boca dela e prendendo-a a parede, agora por sua vez, Kat fez uma expressão facial de prazer. Aparentemente não vinha mais nenhuma delas, então me sentei no chão apertando muito a ferida, certamente não me causava risco de morte, no entanto me enfraqueceu, além da dor que causava. 

Em menos de uma hora e depois de uma pequena pausa pra comer e alguns beijos na Kat, eu já havia me recuperado, lancei alguns feitiços para iluminar o ambiente e seguimos o caminho a dentro. Passamos por um largo corredor cheio de pedras por todos os lados e a cima da nossa cabeça também, o cheiro já deixava de ser tão podre, vimos que havia um pequeno caminho escuro para o lado esquerdo, mas seguimos a diante.

Logo mais a frente achamos uma pedra gigante quase obstruindo o caminho e completamente em volta dessa pedra tinham umas pequenas aranhas babando uma gosma verde pela boca, elas se movimentavam bem depressa e todas ao mesmo tempo pularam em nossa direção! Porém sem muita dificuldade nós conseguimos aniquilar-las. Eu levei algumas picadas e não acreditei, elas pareciam tão inofensivas e frágeis, mas eram venenosas. Por um segundo senti falta das cobras de Rookgaard.

Sem muitas pausas, passamos por aquela pedra gigante e mais a frente avistamos apenas um caminho pra esquerda e algumas vozes grossas já atiçaram minha imaginação do que poderíamos encontrar. Assim que viramos a esquerda, as paredes já estavam um pouco iluminadas, uma claridade que vinha de um outro corredor da direita, e as vozes vinham ficando mais altas e mais nítidas, porém ainda incompreensível. Nos escoramos na parede, com o objetivo de espiar o que iríamos encontrar. E era exatamente o que eu esperava. ORCS! Porém nem todos eram iguais! 

Além dos que a gente já conhecia, vimos outros dois, um vestido de azul segurando uma lança e outro um pouco bem equipado com escudo redondo e de sabre empunhada. Eram quatro deles e dois da gente. Estavam sentados conversando ao redor de uma fogueira. Furtivamente Katdeen puxou uma flecha, preparou o ataque, respirou fundo e acertou a testa do orc lanceiro, que caiu largado de cara no chão. Os outros três se levantaram, os dois orcs vieram na nossa direção enquanto o orc guerreiro ficava de longe dando ordens, deu um pequeno salto pra frente e  com apenas um golpe circular na altura da gargada eu decapitei os dois. O guerreiro esboçou um temor, porém sem muita opções, veio em nossa direção. Antes que ele se aproximasse, Kat lançou suas flechas, que foram bloqueadas pelo escudo, ele se aproximou, jogou a sabre para as costas com a intenção de um ataque de cima pra baixo, porém antes que ele completasse o movimento eu enfiei minha Rapier na garganta dele. O derrubando como uma árvore cortada e empoçando o chão de sangue.

Fuçamos todos aqueles cadáveres de orcs, coletamos algumas moedas de outro, entre outras coisas. Andamos por mais ou menos 10 minutos e nada de diferente surgia, até o momento que vimos um caminho pra direita, uma iluminação vermelha surgia de lá. Quando nos aproximamos, nós ouvimos passos bem leve, suavemente, como passos de uma criança que ainda não tinha completado seus 15 anos de idade. Daquele misterioso caminho também vinha um vapor extremamente quente, encostado na parede, lancei olhares a fim de saciar minha curiosidade sobre aquele calor e aquela iluminação avermelhada. Enquanto Kat ficava logo atrás de mim, eu pude ver de longe uma pequena criatura vermelha de costas. Tentando identificar o que era, mais parecia um demônio mirim, segurando um tridente e se entretendo lavas de vulcão que o rodeava. Mas tudo estava tão maravilhosamente bem, até que aquele vapor e aquele calor me fez espirrar: "AAATCHIM",

Ele ouviu, se virou e revelou-se por completo, realmente era um demônio de fogo, contendo apenas dois dedos com enormes unhas em suas patas de cabra, suas pernas eram curtas, porém seus braços longos e haviam aparentemente mais que cinco dedos nas mãos, todos com unhas que chegavam a curvar-se como caracol. Andando lentamente, ele não se aproximou por completo, apontou seu tridente em minha direção e uma pequena explosão de fogo surgiu ao meu redor, me queimando! Não tive reação, fiquei enfraquecido com aquilo e a única coisa que poderia fazer era correr, corri! Ele veio atrás de mim, obviamente, segurando o tridente em uma mão e na outra uma pedra branca pronta pra encanta-la, e o fez, proferiu uma palavras mágica e uma runa vermelha surgiu em sua mão, ele lançou em mim, esse fogo sim era mais potente, uma enorme bola de fogo surgiu ao meu redor, eu já estava bem fraco e correndo ainda, mas para polpar a vida da Kat eu fui em direção oposta á ela. Ele veio atrás de mim, ficando de costas pra ela, ela depressa porém bem calmamente, preparou sua flecha, respirou fundo e "Zaarp". E ao mesmo tempo que ele lançou uma outra pequena explossão de fogo em mim, me derrubando, Kat acertou o capirotinho na bunda, ele furiosamente se virou, olhou pra ela, aponto o tridente na direção dela e "Zaarp". Uma flechada certeira no braço do filho de satanás, ele largou o tridente no chão e fugiu, voltando ao caminho de lavas.


Kat veio correndo em minha direção, com inúmeras queimaduras pelo corpo todo, eu me apoiei na parede e sentado eu fiquei até me recuperar, nosso receio era que o capirotinho também se recuperasse e voltasse. Mas ainda bem isso não aconteceu. Depois de algumas horas, eu já estava apto a andar, voltamos todo aquele caminho, encontramos outros exploradores andando pela caverna, eles perguntaram nossos nomes, nós dissemos e deram um recado: "Ouvimos rumores que um homem recém chegado na cidade está a sua procura, Murlock!".

Sem que eu pudesse perguntar mais sobre o assunto, eles continuaram a caminhada até sumir na escuridão da caverna. Já era noite e finalmente Kat e eu conseguimos sair do templo ancião, não percebemos quanto tempo ficamos lá dentro, mas saímos mais experientes e fortes, naquela noite mesmo eu ainda fui encontrar o cavaleiro Gregor, na esperança que ele me ensinasse alguma magia de cura.

Após algumas semanas eu fui explorar o norte de Thais, ouvi dizer que pelas montanhas eu poderia encontrar alguns anões. Eram duas pontes até chegar nos anões, naquela tarde ensolarada, assim que desci na primeira ponte ainda, avistei um homem em ar puros, de costas no chão com o escudo erguido que tampava o rosto do rapaz e uma clava largada de lado, um cliclope de costas pra mim, estava prestes a dar o ataque final, correndo desesperadamente preenchido de apreensão, consegui chegar a tempo de impedir aquele ataque, enfiando minha espada na panturrilha daquele gigante, ele largou seu martelo de batalha no chão e levou a mão até o ferimento, com a mesma mão ensanguentada ele tentou me dar um tapão de forma circular, ergui meu escudo e entre meu braço e o escudo eu posicionei minha espada, quando ele me acertou em cheio, furou sua mão, mancando e com minha espada presa a sua mão, ele saiu batido dali. Fiquei sem espada.

Correndo fui amparar aquele sujeito no chão: "Ei cara, tá tudo bem, pode levantar!". Meus olhos não acreditavam no que vi, era o não tão amigo, Jaker. Então falei: "Bem vindo, Jaker!"

Próximo cap.: 08 - Pra mim?

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